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12 dezembro 2018

Hoje invadiu-me a nostalgia

(texto da minha irmã mais nova)

Hoje invadiu-me a nostalgia. Talvez tenha sido o nevoeiro o responsável.Dizem que faz mal aos ossos - o nevoeiro, não a nostalgia, claro.
Em criança adorava o nevoeiro.
Eram dias de um fresco/suave. Ficava como que numa terra de esconde-esconde. Quanto mais cerrado mais interessante. Na minha mente não havia lugar para males de ossos, acidentes de viação...nada disso. Às vezes sentia-me quase invisível – tive sempre uma fértil imaginação.
Cheguei a imaginar-me num mundo de nevoeiro. Tentava fazer desenhos no ar, como o fazia na vidraça embaciada, mas não surtia qualquer efeito.
Era um tipo de algodão doce imaginário. Apetecia-me pegar em pedaços e degustá-los suavemente, ficando com aquela agua doce na boca até ele se desfazer. Depois, discretamente limpava os dedos ao vestido, não sem antes os ter lambido muito bem, não fosse perder-se algo. A seguir vinha a sede louca fruto do excesso de açúcar.Com sorte, talvez me dessem um gelado (sorvete) de banana. Idolatro o chocolate, mas aqueles gelados... eram assim um misto de leite com banana - tipo batido - mas em gelado, e de uma textura aveludada. Deveria ser proibido perderem-se esses sabores que nos marcam a infância.

Também deveria ser proibido ficarmos órfãos.

(para os meus pais, com saudades)

a.


18 agosto 2018

partida

18 Agosto 1951

Ingrata esta vida, que nos faz amar e partir.
Mas que seríamos nós sem o amor? Que seríamos nós sem as memorias afectivas?
Recordar-te-ei para sempre - quando ouvir as rolas, os sinos da igreja, as Pascoas e os Natais.
Saudades dos que planam na linha do horizonte.
Saudades de ti já.

(para Olguita)
com carinho
a.


29 janeiro 2018

a visita

(texto da minha irmã mais nova)

a visita

Sempre impecavelmente aprumada, outrora andaria numa azafama, entre a loja, que ficava na frente da casa, e os afazeres domesticos.
Recebia-nos com alegria, mas nao nos dava prioridade, primeiro estava o negocio.
.
Tudo estava irreconhecivel. Agora tinhamos que ultrapassar várias rotundas até chegar à aldeia. Foi bom a Ró ter ido comigo. Nas entrelinhas dos seus profundos suspiros de “ai-meu-deus”, dava-me instruções: vira aqui, vira ali - caso contrário ter-me-ia perdido.
O jardim da frente da casa também estava encurtado, por causa da estrada. Ainda bem que sobrara espaço para manter as roseiras.
Recuei no tempo.
.
Às vezes conseguimos recuar no tempo e ficarmos inocentes. Conseguimos imaginar que tinha sido bom ali. Noutra altura teria conseguido recuar até àquela tarde de férias de verão quente.
A igreja ainda era visível dali.
Sentamo-nos todos à roda de uma mesa no jardim. Havida limonada fresca, com água do poço. O som das rolas chegavam até nós, pena que o das galinhas também.
Os pátios tinham sido regados com água para tornar tudo mais fresco, Depois do fausto almoço, e sem vontade para lancharmos, havia quem já se atrevesse a elaborar a ementa do jantar. Depois de algumas sugestões eliminadas conseguiu-se reduzir o menu para uma salada russa (que iria ser servida bem fria) com uns filetes de pescada fresca. Para a sobremesa haveria pão-de-ló e melão fresco.
Fui muito feliz naquela casa.
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Recuei no tempo e senti pesar.
Abrimos o portão, torneamos a casa.
A empregada tratava da roupa e disse – ela hoje está melhorzinha, já desceu mas subiu de novo.
.
Quando me viu, no seu ar canónico tentou esboçar um sorriso de alegria. Talvez até fosse um grande sorriso, já não tinha força para o transmitir por esgar.
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(para O.)

a.



04 outubro 2017

Cheiros (parte I)

(este texto foi escrito pela minha irma mais nova)

CHEIROS (Parte I)

Não caíra o Governo de Salazar. Ele simplesmente morrera.
Levei de recomendações de casa para que,  quando chegasse, não contasse nada à Vóvó.
Finalmente os cheiros, caruma, eucalipto, o estrume do gado do vizinho…mas o melhor ainda estava para vir: o cheiro a leite fresco que de certeza ia ter à minha espera.
Era sempre agradável ir para a aldeia.
Adorava os cozinhados da minha avó. Ainda hoje recordo aqueles croquetes de batata (em alguns locais chamam-lhe trouxas de carne), douradinhos e acabados de fazer. Sentia-me uma princesa. A mesa girava à minha volta, ou melhor dizendo à volta dos meus paladares.
Não havia frigorífico, mas havia um compartimento muito fresco e cheio de prateleiras onde se guardavam os alimentos. Não havia supermercado mas sim a Herdade, onde tinha de tudo. Olhavam-me sempre de alto a baixo a fim de admirarem ora os meus olhos, ora o cabelo, ora o tom de pele (pois, a menina tem ido para a praia? – quem é? interrogavam-se – ah, é a mais nova da Lena de Espinho). A Herdade tinha um cheiro muito característico. Nunca encontrei ao longo da minha existência uma miscelânea de cheiros como lá. Era uma mistura de café acabado de moer-sabão clarim-açúcar refinado- bacias de plástico-marmelada-e outros que nunca soube identificar. Aqui também tinha uns maravilhosos rolos de chocolate maciço.
Para mim o dia era dividido em quatro: a manhã onde se respirava a frescura da noite, ao meio do dia com um calor insuportável e do qual nunca fui adicta, o maravilhoso fim da tarde onde às vezes me era permitido regar e podia molhar os pés em água fria sem levar um raspanete, e o anoitecer. Cada parte do dia tinha o seu cheiro. Ao fim da tarde também costumava ir para a cave (chamavam-lhe loja) andar no baloiço que estava pendurado nas traves da casa. Voava até as minhas tranças começarem a bater no tecto...a partir daí abrandava. Era um local bem fresco em contrapartida do calor de verão. Talvez a terra batida ajudasse àquela agradável temperatura.
Naquele tempo não deveria haver salmonelas, pois eu comia as gemadas que queria. Aliás, era uma obrigação a ingestão diária de gemadas.
No dia a seguir à minha chegada, tinha sempre por obrigação de ir às Cavadas, a casa da Fatinha, para me pesar. O objectivo da estadia na aldeia era de aumentar peso. Às vezes ia buscar a Nené a casa para irmos juntas – talvez fosse uma forma dela se distrair.


Era ja noite. Abri o portão, subi a ladeira, e ali estava ela estendendo-me os braços sempre tão carinhosos. Beijou- me. Senti um aconchego enorme naquele roçar de face na face e daquele hálito a maçã.

- Vóvó!!!!! O Salazar morreu!!!

bjs
a.

(para todos os que fizeram parte da minha infância)

21 julho 2016

A Páscoa

(este texto foi escrito pela minha irma mais nova)

A Páscoa

O cheiro a fresias dilatava-me as narinas. Nos canteiros da Titia, espalhados pelas escadas e pelo corredor ladeado de flores, procurava os primeiros rebentos. Quando encontrava ficava deleitada. Inigualável aquele perfume. Fresco e suave, nostálgico até – jamais terei palavras para o definir.
Era o prenuncio da primavera e a Páscoa estava ali ao virar da esquina.
Primeiro vinha o Domingo de Ramos.
Neste dia levávamos à igreja um ramo com alecrim e oliveira para ser benzido no fim da missa das 10,00H.
Tudo era programado atempadamente.
A casa era limpa a fundo para receber a visita do compasso.
Cortinas, reposteiros, janelas… tudo era passado a pente fino.
As carpetes e tapetes eram lavados no grande tanque e o chão depois de minuciosamente esfregado era encerado. Quando a cera secava puxava-se o lustro. Ficaria lindo. O corredor brilhava logo de manhã quando entrava luz pelo quarto do Dito.
Havia ainda as cerimónias religiosas a que era obrigada a ir.
Nunca lhes achei muita graça, eram deprimentes, isso sim. Contudo, devo referir aqui dois aspectos que sempre me cativavam: as vestes cor de lilás e o cheiro a incenso.
Às 15,00H da Sexta-feira Santa deveríamos todos fazer um minuto de silêncio (às vezes emitia um som, muito baixinho, só para ver se me acontecia algo. Bah, continuava inteirinha, nada de novo acontecia. As minhas tranças continuavam no sitio, os meus joelhos esmurrados e o estúpido som das galinhas a cacarejar entrava pela casa.
Bom, passemos à parte que eu mais gostava: a cozinha. Adorava participar nas tarefas culinárias. A Ró batia as claras, a Lena e eu mexíamos as gemas com o açúcar e até o Dito ajudava na confecção dos cocos. Talvez por ser a mais velha cabia à Ró a tarefa de amassar o preparado para as bolinhas de chocolate. Invejava-a. Aquela tarefa deveria ser minha. Vá-se lá saber porquê mas nunca enjoava doces. (era quase obrigatório fazer-se: bolas de chocolate, quadradinhos de chocolate – feitos com a receita do bolo de noiva – bolo de coco, pudim francês, bolo de prata, bolinhos de coco, pão-de-ló, bolo de mármore, bolo mulato – conhecido entre irmãos pelo bolo leitoso – rolo recheado de geleia e talvez mais algum que não me ocorre agora).
Havia também regueifa da Páscoa, aliás havia sempre variadíssimos pedaços de regueifas da Páscoa, a mãezinha gostava de ter várias “amostras” da mesma. Tinham um sabor muito característico, talvez com um toque de Vinho do Porto.
Uma vez o paizinho e a Lena atreveram-se a fazer regueifa. Estava tão boa, mas tão boa aquela massa. Lindas! Ainda as vejo, por cozer, dispostas na mesa com tampo de mármore que havia na cozinha, já pinceladas de ovo e prontas para irem ao forno. Foi pena não terem desenvolvido. Conforme entraram, conforme saíram. Eram assim tipo umas regueifas anãs. Deu para rir apesar de todos lamentarmos o seu fraco, ou nenhum, crescimento. Porem, devo dizer que nunca comi regueifa tão boa.
A sala de jantar era preparada de véspera para a visita pascal.
A mesa grande era trocada por uma mais pequena para dar espaço à circulação do compasso. A “toalha da Páscoa”, imaculadamente branca, era então colocada.
No centro havia uma floreira em vidro, de cor salmão, com algumas flores e os verdes benzidos no anterior Domingo.
Havia os pratinhos rendilhados onde se colocavam amêndoas. Num deles ficava uma laranja golpeada com o folar para o padre. Noutro um pouco maior aparecia o Vinho do Porto e os cálices. Parte dos bolos eram cortados em fatias e dispostas em pratinhos. Lamentavelmente só podíamos comer os doces, depois do compasso passar.
Devo confessar que na noite Sábado para Domingo eu esgueirava-me até à porta da sala, fechada a sete chaves, e deliciava-me com bolinhas de chocolate. Não sei se alguém reparava, mas ficavam em numero idêntico ao que encontrava à entrada, só que um pouco mais pequenas.
Por fim vinha a excitação da entrada do compasso. A parte mais irritante era eu ter que beijar a cruz. Tentava sempre pôr a boca de lado para não lhe tocar – de relâmpago passavam-me sempre pela frente milhares de bocas sem dentes e de hálito suspeito.
Sobre o compasso, recordo ainda o som da sineta a aproximar-se (claro que às vezes era o simples sino que havia lá em casa e que alguém se lembrava de enganar a mãezinha, que toda aflita se aprontava de imediato a dizer: Eduardo, olha os verdes!!!! Espalha os verdes à porta!!!)

Para os meus pais e para os meus irmãos,
Com carinho
a.


(a última Páscoa em Cesár)

25 maio 2016

A Olguita

(texto da minha irmã mais nova)

A Olguita

Saíamos sempre, ao domingo. Afinal, morávamos numa cidadezinha turística.
Mesmo durante a semana, não era estranho irmos até à beira-mar, onde o picadeiro enchia na zona de verão.
A música tocava na Av. 8, emitida a partir de uma cabine de som. Scott Mckenzie convidava-nos a partir até S. Francisco ao lado de uma Gigliola Cinquetti que jurava a pés juntos "Dio como ti amo".
Roberto Carlos, entre outros estava no auge.
Um dia rezei para que ele me viesse buscar. Não disse nada a ninguém, para não dar azar e esperei por ele. De certeza que esperei sentada, caso contrário tinha feito varizes pelo corpo todo.
Nunca íamos com qualquer roupa para o picadeiro.
Quer de Inverno quer de Verão, deveríamos vestir a rigor. Mas no Verão era tudo mais bonito. Pelo Sol e pela roupa mais alegre.
Muitas vezes ía para Cesár passar as férias e "os" de lá vinham para cá.
A Fatinha, a Nené e a Olguita eram visitas assíduas na época balnear.
Traziam sempre imensos víveres, além da bagagem pessoal.
Lembro-me da bagagem da Olguita. Era sem dúvida a maior – digna de uma actriz de cinema.
- Para que queres essa porcaria toda? - perguntava eu?
- Nem é muita coisa…
Eu olhava para aquelas malas……Era cintos diferentes para cada toilette, sapatos, lenços, blusas, casacos…para não falar nos cremes. Para o Sol, para o dia, para a noite, para as rugas... credooooo - pensava eu, que passava bem com as minhas calças de ganga.
Antes de sairmos ela escovava 50 vezes o cabelo para ficar a brilhar. Tinha que esperar sempre por ela.
Depois…depois…valia a espera.
Orgulhava-me que todos olhassem para ela.
Orgulhava-me de a ter como prima.

a.

(para a Olguita, com todo o meu carinho)



25 abril 2016

Dia D

(mais um texto da caçulinha) 

Dia D

Era um prazer a visita da D. Angelina. 
Foi triste quando ela foi morar para Coimbra, mas a Alicinha tinha sido colocada em Coimbra para o estágio de medicina e seria tudo mais fácil. Agora me lembro, a Alicinha costumava sentar na cama o esqueleto, que lhe servia de estudo. 
A D. Angelina tinha uma voz muito agradável, e era uma boa contadora de histórias. Deliciava-me a ouvir episódios ora de Lisboa, ora de Carcavelos e até da Maria do Mar, filha de uns amigos lá de Lisboa. 
Gostava de ir a casa dela. Tinha uma gaiola, para mim gigantesca, cheia de periquitos. Era de um formato cilíndrico e terminava em cone. Encantava-me os sons daqueles pássaros. Ah, lembrei -me agora da vasta colecção de caixa de fósforos do Sr. Mário. Muitas delas tinham sido trazidas das colónias enquanto prestava serviço militar. 
Graças a ela, os estufados passaram a ser feitos num relativo curto espaço de tempo, com a introdução da panela de pressão. A mãezinha rendeu-se ao efeito mágico deste utilitário doméstico. Ficou tudo muito mais simples, se bem que de vez em quando fosse necessário dar um jeitinho à tampa da panela para a mesma funcionar. 
Às vezes vinha passar uns dias lá a casa e, se o sr. Mário estivesse de serviço viria ter com ela no fim de semana. Eram dias de azáfama doméstica diferente. 
Tinha chegado há dois dias. 
Quando acordei preparei-me para a escola e enquanto tomava o pequeno almoço, fui surpreendida por um burburinho. Algo se passava. Estava tudo com o ouvido colado ao rádio. 
- D. Helena, vou fazer as malas e parto no próximo comboio. Não sei se ele estará bem – o sr. Mário tinha o posto de major, e ela receava por ele 
Entretanto o paizinho, que já tinha saído há muito, voltou a casa e disse: 
- Nada de ajuntamentos. Se virem ajuntamentos afastem-se. 
Eu queria compreender a situação. Sabia que tinha havido uma revolução, mas nada mais sabia. 
Na escola foi-nos explicado o que se passava por uma professora: 
- Portugal vivia num regime fascista. Só havia uma opção política e quem fosse contra era torturado e preso. Ao longo destes dias, ser-vos-á explicado melhor, quer em casa, quer aqui na escola. Podem sair. Podem ir para a rua para comemorarem a Liberdade. 
Não se metam em confusões. Ser livre não é fazer tudo o que queremos. Não temos direito de ir contra a liberdade do outro. Temos o direito a partir de agora de lutarmos pelos nossos ideais. Não estranhem se virem alguns dos vossos professores, pelas ruas de Espinho gritando liberdade. Eu vou estar lá. 
Nada voltou a ser igual. 
Um dia o meu filho perguntou-me como era Portugal antes do 25 de Abril. 

Respondi: era a preto e branco 

Para os meus irmãos, 
Com carinho 
a.

28 maio 2015

O Paizinho

(texto da minha irmã mais nova)

 O Paizinho


Ainda hoje exibo orgulhosa a pequena fotografia a preto e branco.

Ele já tinha cabelo, quase todo, branco, e eu ainda na escola primária andava.

Gostava de o ter conhecido com o cabelo às ondinhas. Um galã. Um autêntico artista de cinema.

Nunca mais esqueci o dia da foto. De mão dada, seguia altiva. Tínhamos ido à missa à Capela da Nª Sª da Ajuda. Depois fomos ver o mar, e foi aqui que apareceu o inesperado fotógrafo.

Pena ser a preto e branco. Levava metade do meu cabelo apanhado no alto da cabeça, onde era notório o grande laçarote branco. O vestido era rosa bebé, com umas aplicações, desde os ombros até à zona do umbigo, onde passava uma fita de seda igualmente rosa. Levava ainda um casaco de malha quente e de cor azul clara, feito pela mãezinha. Os sapatos eram pretos e de verniz, enfiados numas límpidas meias brancas.

Gostava de ver as fotografias a preto e branco que eram guardadas no álbum. Apresentava sempre um ar charmoso – os ossos ainda não se queixavam. Tinha realmente ar de galã, talvez tivesse sido assim que teve frutos na conquista do seu amor.

Um dia contei-lhe que em tempos tinha imitado a sua assinatura, para ele não ver as más notas da escola. Sorriu. O meu desabafo foi uma maneira de me redimir. Também lhe contei daquela vez, em que estando em casa sozinha com o Dito, distraímo-nos e começamos a jogar à bola. Azar, acertei em cheio no relógio de parede, que caiu – já não há relógios assim, pois não sofreu muitos danos. Até àquela data sempre pensou que o relógio tinha caído por desleixo do prego.

Quando me cabia a mim, a vez de limpar o pó no quarto deles, abria a porta do guarda-fatos e perdia-me entre o cheiro da roupa domingueira, sempre perfumada.

Foi muito bom tê-lo como pai – jamais o trocaria.

Foi bom vê-lo como avô.

(para os netos do meu pai)
com carinho
a.